sexta-feira, 9 de abril de 2010

"Nota de esclarecimento dos favelados de Niterói"

Vou copiar abaixo uma "Nota de esclarecimento dos favelados de Niterói", que chegou até mim via e-mail, e que veio em resposta a declaração dada pelos nossos governantes que culpam a população pela tragédia ocorrida. Numa sociedade fragilizada, ainda existem aqueles que conseguem pensar no próprio umbigo, ao invés de tentar ajudar e minimizar a dor do próximo. Jogar a culpa na população é fácil. Assumir a culpa e tentar consertar, dar educação, saneamento, moradia, dignidade! Isso é que está cada vez mais dificil. E agora?

Ia escrever mais sobre o assunto, mas envolve tanta coisa que resolvi apenas repassar a nota.

Nota de esclarecimento

Nós, moradores de favelas de Niterói, fomos duramente atingidos por uma tragédia de grandes dimensões. Essa tragédia, mais do que resultado das chuvas, foi causada pela omissão do poder público. A prefeitura de Niterói investe em obras milionárias para enfeitar a cidade e não faz as obras de infra-estrutura que poderiam salvar vidas. As comunidades de Niterói estão abandonadas à sua própria sorte.

Enquanto isso, com a conivência do poder público, a especulação imobiliária depreda o meio ambiente, ocupa o solo urbano de modo desordenado e submete toda a população à sua ganância.

Quando ainda escavamos a terra com nossas mãos para retirarmos os corpos das dezenas de mortos nos deslizamentos, ouvimos o prefeito Jorge Roberto Silveira, o secretário de obras Mocarzel, o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula colocarem em nossas costas a culpa pela tragédia. Estamos indignados, revoltados e recusamos essa culpa. Nossa dor está sendo usada para legitimar os projetos de remoção e retirar o nosso direito à cidade.

Nós, favelados, somos parte da cidade e a construímos com nossas mãos e nosso suor. Não podemos ser culpados por sofrermos com décadas de abandono, por sermos vítimas da brutal desigualdade social brasileira e de um modelo urbano excludente. Os que nos culpam, justamente no momento em que mais precisamos de apoio e solidariedade, jamais souberam o que é perder sua casa, seus pertences, sua vida e sua história em situações como a que vivemos agora.

Nossa indignação é ainda maior que nossa tristeza e, em respeito à nossa dor, exigimos o retratamento imediato das autoridades públicas.

Ao invés de declarações que culpam a chuva ou os mortos, queremos o compromisso com políticas públicas que nos respeitem como cidadãos e seres humanos.

Comitê de Mobilização e Solidariedade das Favelas de Niterói"

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Mais um posto de doação

A PUC-Rio estará, a partir de segunda-feira, recebendo doações para os desabrigados. Elas devem ser entregues no Pilotis da unidade da Gávea.

Rio: saiba onde fazer doações a desabrigados

Há milhares de desabrigados que necessitam, principalmente, de alimentos não-perecíveis, roupas e colchonetes. As doações podem ser feitas nos seguintes endereços divulgados pela Prefeitura do Rio:

- Centro: no Centro Administrativo São Sebastião (sede da Prefeitura – Rua Afonso Cavalcanti, 455, Cidade Nova)

- São Cristóvão: na sede da Guarda (Avenida Pedro II, nº 111)

- Botafogo: na base operacional da GM-Rio (Rua Bambina, nº 37)

- Barra da Tijuca: na 4ª Inspetoria (Avenida Ayrton Senna, nº 2001)

- Madureira: na 6ª Inspetoria (Rua Armando Cruz, s/nº)

- Praça Seca: na 7ª Inspetoria (Praça Barão da Taquara, nº 9)

- Lagoa: 2ª Inspetoria (Rua Professor Abelardo Lobo s/nº – embaixo do viaduto Saint Hilaire, na saída do Túnel Rebouças)

- Bangu: na 5ª Inspetoria (Rua Biarritz, s/n)

- Tijuca: na 8ª Inspetoria (Rua Conde de Bonfim, nº 267)

- Campo Grande: na 13ª Inspetoria (Rua Minas de Prata, nº 200)

Vamos praticar a cidadania! Remexam os armários, com certeza temos muitas coisas que não usamos e que podem ser úteis para outras pessoas. Fica o recado também para grandes redes de supermercados e quem tem mais grana. Ajudem.